Felipe Dias

O IMPACTO DO ESTRESSE NA QUALIDADE DE VIDA DOS TRABALHADORES INSERIDOS NAS ORGANIZAÇÕES.

1 INTRODUÇÃO

Este relatório elenca o estudo referente ao estresse nas organizações contemporâneas em relação ao cotidiano dos trabalhadores, pois essa patologia acomete diversas fases do ciclo vital e particularmente, na relação que o indivíduo estabelece com seu sistema organizacional. Entretanto, essa espécie de tensão mental chamada estresse é muito antiga , mas destacou- se em pleno século XXI, com efeitos positivos e negativos que acabam afetando o ser humano.

As organizações estão cada vez mais preocupadas com a qualidade de vida dos trabalhadores, devido a isso estabeleceram metas e objetivos claros e tangíveis, fazendo com que o funcionário trabalhe de forma integrada e participativa.

A partir da temática acima, identificou-se a seguinte questão de pesquisa:

Nesse sentido, o objetivo da pesquisa é analisar o impacto do estresse na qualidade de vida dos trabalhadores inseridos nas organizações. Pois, mediante a análise da literatura pode-se perceber que os níveis de estresse, quando elevados no ambiente ocupacional, acabam causando falhas no desempenho profissional e como consequência a decadência produtiva. Porém, quando a organização investe na qualidade de vida pode atingir resultados benéficos.

Esse estado de estresse justifica- se pela relevância do tema na atualidade. Os trabalhadores na pós-modernidade sentem-se cada vez mais pressionados pelas exigências do mercado. Portanto, não só podem usar algumas técnicas para amenizar o estresse no sistema organizacional, mas também aprender a relaxar e direcionar-se positivamente ao seu intelectual e as suas emoções aprendendo a lidar com o estresse cotidiano, pois o mundo pode não mudar, mas a atitude das pessoas perante o mundo.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Estresse

O conceito de estresse não é novo, existe desde o século XVII, porém somente no século XX que iniciaram os estudos sobre quais são suas causas e consequências na saúde física e mental do indivíduo. Os primeiros estudos realizados por Hans Selye (1959) mostraram que o estresse está ligado as doenças e é composto por três fases: alarme, resistência e exaustão e que após a fase de exaustão começa a surgir doenças, como por exemplo, úlcera, hipertensão arterial, artrites, entre outras. O autor deixa claro que o estresse surge em qualquer uma das fases e que não é preciso o desenvolvimento das três para chegar à exaustão ou até mesmo a morte.

Marilda Lipp (1984) constatou que existem dois tipos de estresse, o positivo chamado de eustresse, ao qual motiva e estimula a pessoa a enfrentar uma situação, a conseguir lidar melhor com os problemas e o negativo, distresse, que acovarda o indivíduo, faz com que ele não se sinta capaz, não consiga obter coragem para seguir em frente. Carl Simonton (1987) relacionou o estresse a estados emocionais, cada pessoa reage de forma diferente perante as mudanças de suas vidas e a forma como cada um vai reagir e enfrentar a situação é que vai fazer a diferença, uma pessoa com câncer pode ter desencadeado esta doença por ter vivido com um nível de estresse mais alto no decorrer de sua vida.

2.2 Qualidade de vida

Segundo Guerreiro Ramos (1981), as pessoas se moldaram em um novo padrão de vida, um ritmo acelerado totalmente voltado ao trabalho. Começa-se a trabalhar em domingos e feriados, as horas de lazer passadas ao lado da família são deixadas de lado, os problemas de trabalho são levados para casa, gerando uma preocupação, afinal como ter qualidade de vida com um ritmo assim.

A empresa que sabe valorizar seu funcionário, certamente terá uma melhor produção, um melhor desempenho porque funcionário satisfeito, seja com seu salário, seja com o ambiente da empresa, por ser reconhecido, por receber talvez um elogio, com toda a certeza se envolverá mais com os problemas da empresa, com seu trabalho e em buscar soluções, ideias novas e porque não aplica-las para inovar um projeto. De acordo com Campo (1992), seria de muita importância a opinião dos funcionários em relação à empresa, o que eles acham que precisa mudar, o que eles consideram que está bom ou até mesmo se eles gostam de trabalhar no seu setor, no que fazem. A empresa adotando conceitos de qualidade de vida não vai só beneficiar seus funcionários, como também se beneficiará, pois um funcionário feliz e envolvido com seu ambiente de trabalho resultará em uma empresa mais produtiva e avançada.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A presente pesquisa foi desenvolvida a partir da pesquisa bibliográfica em artigos científicos sobre o tema. Segundo Marconi e Lakatos (2007, p.185), essa forma de investigação consiste na análise de fontes secundárias, “abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo”. Nesse sentido, faz-se necessário delimitar o recorte temporal. Além de artigos, livros sobre o tema fornecerão subsídios à pesquisa. É importante ressaltar que a pesquisa bibliográfica não consiste em “mera repetição”, mas propõe um novo olhar sobre o tema, podendo assim contribuir com considerações inovadoras.

Para Vieira e Hossne (2001, p.135), a revisão bibliográfica deve se efetivar evidenciando “a evolução de conhecimentos sobre o tema, apontando falhas e acertos, fazendo críticas e elogios e resumindo o que é, realmente, de interesse”.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

4.1 Tipos de estresse

As teorias atuais sobre o estresse foram desenvolvidas com base nos resultados de Selye(1956), desta forma as pesquisas elencaram dois tipos de estresse que podem ser chamados de estresse negativo e positivo.

Essa positividade moderada faz com que o cérebro tenha uma liberação de um neurotransmissor chamado dopamina, relacionado à sensação de prazer, além disso, o primeiro estágio do estresse, conhecido como alerta, serve como um estimulante para enfrentar dificuldades, recarregando as energias e dando a disposição necessária para o enfrentamento dos problemas do cotidiano.

Mas, segundo Sapolsky (1992), quando o estresse ocorre de forma prolongada e repetida, acontece o oposto, o indivíduo se sente cada vez mais exausto e com grande probabilidade de apresentar sintomas relacionados com as doenças causadas pelo estresse. Quando isso ocorre, há também uma inibição no nascimento de novos neurônios e causa enfraquecimento dos neurônios existentes.

Por isso, é necessário que as pessoas saibam controlar os níveis estressores a que se expõe, procurando os meios de reconhecer os limites e evitar que essa tensão mental torne-se algo mais grave. Pois os pensamentos e as atitudes positivas como reservar um tempo pra si e fazer coisas que causam prazer, podem ser uma forma de solucionar os problemas.

Atualmente o estresse é considerado responsável por perdas relevantes nas finanças e na produtividade dos mais variados tipos de organizações. Cada ramo de atividade profissional apresenta para os indivíduos envolvidos diferentes fatores de causa do estresse, por isso, as principais origens dessa patologia estressora nas empresas podem ser classificadas como sociais, psicológicas e biológicas, dependendo do nível de exposição do indivíduo a cada uma delas.

O estresse pode mostrar-se mais presente e intenso em determinados ramos de atividade profissional ou setores de uma mesma organização, dependendo é claro da forma como o gestor trabalha esses problemas com seus colaboradores e da forma que cada um tem para enfrentar as dificuldades apresentadas. Como exemplo de profissionais com grande exposição ao estresse, podem ser citados os bancários, os atendentes de telemarketing e pessoas ligadas aos setores financeiros.

Logo, o estresse positivo nas organizações se mostra fundamental para a obtenção de resultados positivos e satisfatórios, mas para que isso ocorra, é necessário que os responsáveis pelas mesmas mantenham a empresa sempre em estado de alerta. Para que isso ocorra é preciso que a organização estabeleça metas e objetivos claros e tangíveis, trabalhe de forma integrada e participativa, exigindo de seus colaboradores atividades que estejam de acordo com sua capacidade produtiva e trabalhando da melhor forma possível a comunicação interna na empresa, mostrando a todos as conquistas e dificuldades organizacionais, para que possa ficar claro onde todos podem melhorar.

Outro tipo de estresse que pode ser destacado é o estresse negativo, neste caso as principais ocorrências que estressam os cidadãos estão relacionadas ao futuro, em alguns casos podem até ser preocupações irreais, sendo denominados como possibilidades e pensamentos preocupantes. No entanto, pode-se afirmar que muitos problemas de saúde são desencadeados em ambientes onde o ser humano sente-se pressionado, mas um dos elementos que essencialmente desencadeiam problemas de saúde relacionados a essa tensão negativa é o acumulo de tarefas.

Sendo assim, é necessário que o ser humano avalie algumas atitudes e pensamentos a fim de promover mudanças na vida cotidiana, porém quando há uma alteração do controle emocional, essa tensão mental passa a interferir na vida pessoal, social, profissional e intelectual das pessoas. Então, mediante a esses fatores deve-se dar mais atenção ao grau invasor dessa patologia.

“Segundo Rosenfeld a irritação, o mau humor, ansiedade e cansaço demasiado prejudica o relacionamento consigo mesmo e com as pessoas ao redor, altera o modo de ver o mundo, que se torna muito mais difícil do que realmente é. Esse tipo de estresse é responsável por doenças como enxaqueca, gastrite, depressão, hipertensão, insônia e até problemas cardíacos.” (ROSENFELD, 2005, p. 2).

No entanto, todas estas circunstâncias também são derivadas de atitudes de não saber lidar com a oposição, isto é, o fato de negar algo ou alguma situação, pois os sujeitos vivem uma grande parte da vida realizando ou tomando decisões e muitas vezes a obrigação acaba prevalecendo e não permite que se efetue atividades que proporcionem gosto ou satisfação.

“Para encontrar o equilíbrio, é importante que a pessoa se conscientize das situações que a estressam mudando o que puder e adaptando-se àquilo de que ela não tiver controle. Também deve dispor-se a fazer as adaptações necessárias para ter maior controle pessoal buscando um estilo de vida saudável que inclua exercício físico regular, alimentação adequada, prática de relaxamento e sono reparador. As emoções e a saúde física dependem quase que exclusivamente de como a pessoa interpreta o mundo exterior. A realidade de cada um é o produto de sua própria criação. E quanto mais a pessoa entende as pressões e situações que a influenciam, melhor ela se adapta às suas demandas”. (Rossi, 2002, p. 1).

Entretanto, deve-se haver uma permissão, em certas ocasiões de satisfação, pois pode haver alívio e ao mesmo tempo controle do nível de estresse no dia a dia do sujeito, estabelecendo diversos fatores, porém com o objetivo de vender, ganhar mais dinheiro sem aumentar os investimentos com mão de obra os empregadores acabam sobrecarregando as pessoas que ali se encontram, por sua vez com a preocupação de estar sempre bem informado e por dentro das novas tecnologias e a preocupação em manter o emprego, elas acabam se submetendo as exigências do empregador. Desta forma, sem uma percepção os trabalhadores deixam de lado seus familiares e suas atividades que causam prazer para ficarem diversos momentos fazendo horas extras para entregar seu trabalho em prazos muito curtos.

E nessa correria que o as doenças derivas do estresse acabam sendo armazenadas no corpo do ser humano, sem ser detectadas, pois enfim estão tão preocupados em alcançar as metas que deixam de lado o seu próprio eu. E quando se dão por conta já estão adoecidos.

4.2 Fases estressoras

O estresse também atinge o sistema fisiológico do ser humano e acaba produzindo doenças orgânicas, caracterizadas por uma sequência que através das percepções de uma situação de perigo ou episódio traumático, presenciada por um sujeito.

No entanto, após a recepção do estímulo, o córtex aciona um circuito cerebral, em uma região denominada como sistema límbico, parte do cérebro que controla as emoções e as funções do aparelho visceral por meio do sistema nervoso autônomo. Então, estas principais estruturas que são denominadas amigdalas e o hipotálamo são ativados e causam alterações como dilatação pupilar, palidez, aumento dos batimentos cardíacos e entre outras ações relacionadas às questões de luta ou fuga.

Deste modo o hipotálamo conduz a ativação da glândula hipófise, liberando o ACTH (adrenocorticotrófico) principal hormônico estressor, que ao ser conduzido pela corrente sanguina é encaminhando à região cortical. Pois estes hormônios possuem ações externas sobre todos os tecidos corporais, causando alterações do metabolismo em relação à resistência agressora imunológica.

Além disso, quando os agentes estressores prosseguem de forma não interrompida a sua ação é nivelada por meio das seguintes etapas. Primeiramente, a fase aguda, que ocorre em indivíduos que não apresentam nenhum outro transtorno mental manifestado em razão da oposição a uma situação traumática, por outro lado a fase de resistência que determina que o conjunto de alterações psicofisiológicas que afetam o cotidiano da pessoa devido a frequente adoção de estratégia equivocada para o alivio dos sintomas e por fim a fase de exaustão onde o organismo capitula aos efeitos do estresse reagindo através de doença física ou psíquicas.

Mediante a esses fatores o estresse pode gerar ou agravar uma serie de patologias, ou seja, doenças relacionadas á ativação exagerada e extensiva de um determinado eixo responsável pela produção estressora, pois principalmente na área digestiva a tensão mental pode desencadear desde uma simples gastrite até uma úlcera. Não apenas em nível das coronárias, mas o estresse pode ser um matador silencioso, isto é, a ativação do sistema nervoso autônomo numa pessoa que já possui problemas de lesão da camada interna das artérias coronárias, pode ser direcionada a diminuição do fluxo sanguíneo adequado para manter a oxigenação dos tecidos musculares cardíacos, levando chamada isquemia do miocárdio.

Mas também, podem ser considerados problemas comuns desse agente estressor a ruptura da parede dos vasos enfraquecidos pela placa aterosclerótica ou a chamada trombose, aliás, um pequeno coagulo pode desencadear múltiplas coagulações que acabam direcionando a morte do individuo. Pois o grau elevado de adrenalina pode provocar alterações no ritmo cardíaco, sendo denominadas como arritmias, que reduz o fluxo sanguinho pelo sistema cardiovascular.

Assim, os indicares de intensa ativação patológica do estresse estão concentrados na corrente sanguínea e no conteúdo das plaquetas, pois as alterações dos coeficientes de corticosol acabam elevando o nível de estresse dos indivíduos e desencadeando doenças de origem orgânica.

Todavia esse agente estressor não é somente considerado como uma patologia no meio psíquico, mas também pode ser considerado que o organismo acaba gerando consequências físicas, emocionais e racionais. Então o fator que pode ser relacionado com esses efeitos é a exigência pela mudança de vida das pessoas no decorrer de situação estressante, das quais possam exigir esforços, tensões, preocupação devido às mudanças frequentes das situações que envolvem angústias, ansiedades e conflitos. Sendo assim, o estresse é submetido à pressão, ou seja, o acúmulo de pressões físicas e psicológicas que levam um indivíduo ao desequilíbrio.

Segundo Carvalhal (2008), cada situação é muito pessoal, pois há pressões de diversas direções, afetando cada sujeito em diferentes maneiras e momentos, mas algumas situações podem ser enfrentadas e outras não conseguimos enfrentar, porém não são as situações que nos estressam e que causam problemas, e sim a maneira como reagimos a elas.

Conforme Carvalhal (2008), as consequências do estresse excessivo são devido à vida agitada dos indivíduos. Em vista disso, podem manifestar o surgimento de doenças metais e físicas, como enxaquecas, problemas de pele insônia, abuso de drogas, problemas intestinais, hipertensão e claro todos os transtornos mentais. Pois estresse é o motivo para uma patologia.

“Segundo a OMS, o estresse (e as doenças que dele resultam) representa uma tentativa mal sucedida do corpo de lidar com fatores adversos no ambiente. Assim, a doença vem a ser o fracasso do corpo em se adaptar a esses fatores adversos, e não o efeito dos fatores em sim.”

Um sintoma do estresse, que o principal fator da causa das patologias e a ansiedade, com a virtude de provocar ataques de pânico e muito nervosismo, além de interferir no sono ou fazê-lo perder o controle. Mas as causas que levam os sintomas de estresse estão muito envolvidas ao ambiente de trabalho, pois estimula a sensação de pressão aos horários, falta de segurança, competividade e exigências. Dessa forma, aumentam a sensações para o estresse.

Com isso, pode levar até ao suicídio, quando não se luta por um objetivo o indivíduo fica sem motivação para continuar a viver. Assim, a felicidade do indivíduo só e possível se houver um equilíbrio entre as expectativas, as exigências e os meios sociais acordados. (Durkheim)

Segundo Carvalhal (2008), explica que o estresse é, portanto, um mecanismo normal e necessário e benefício ao organismo diante de situações de dificuldade ou de perigo. Com o intuito, situa o estresse positivo de fato, faz o indivíduo agir, com o aumento da disposição física, no entanto o estresse negativo exagerado pode ter consequência, por exemplo, cansaço, irritabilidade, falta de concentração, depressão, pessimismo, queda resistência imunológica e mau-humor.

4.3 Qualidade de vida no sistema organizacional

O grande avanço da globalização, a vida moderna, no decorrer dos anos vem afetando de certa forma a qualidade de vida das pessoas. Nos dias de hoje o mercado de trabalho vem sofrendo mudanças e todos estão preocupados em ser produtivos, sem se importar com a saúde, pois sofrem com a pressão psicológica que vêm de dentro e fora da empresa. O fato é que ninguém mais se preocupa com esses fatores, a maioria está com a atenção voltada para o materialismo, ou seja, construir bens, deixando de prestar atenção aos avisos da mente e do corpo quando já está na hora de parar, desencadeando assim o estresse. No decorrer dos dias vários sentimentos passam na mente de cada ser humano, por exemplo, ansiedade, medos, angústias geradas por uma preocupação, que se desenvolvem em função de tantas responsabilidades e compromissos que surgem diariamente.

Sempre teve estresse no trabalho, porém somente agora com a modernidade foi mais enfatizado este assunto. As empresas por sua vez devem investir mais no ambiente de trabalho, ou seja, na saúde do trabalhador, pois desta forma eles certamente terão mais motivação e disposição para enfrentar os desafios do dia-dia. Isso pode ser feito por meio de cursos, dinâmicas de grupo, exercícios físicos, programas de prevenção, entre outros, e com isso as empresas também ganham porque um trabalhador mais disposto resulta em um trabalho mais produtivo, mas sabe-se que não depende só da empresa e sim do indivíduo também, porque precisa partir dele o desejo de melhorar para ter qualidade de vida.

Segundo Workaholic (2006), o trabalhador não trabalha para viver e sim vive para trabalhar, isso tem um motivo que é a modernidade que se enfrenta nos dias atuais, ou seja, a profissão está sendo vista como a única razão de viver e um fracasso nessa hora significaria um desastre, pois as pessoas estão colocando a carreira como prioridade, esquecendo-se da simplicidade das pequenas coisas e momentos que muitas vezes são mais importantes do que ser bem sucedidas profissionalmente.

O estresse afeta a qualidade de vida dos trabalhadores e está ligado ao desejo de realização profissional que o indivíduo busca. Existe a pressão vinda dos superiores, por um aumento da produtividade e resultados positivos, e compete a cada um a forma como vai reagir a situação. Dependendo do nível desta pressão algumas pessoas podem se cobrar muito ao querer alcançar a perfeição e virem a adoecer com nível de estresse alto, outras, porém, enfrentam de uma melhor forma, cada um reage conforme sua personalidade. Sabendo que existe essa pressão, que em algumas empresas, de vendas, por exemplo, é quase impossível de evitar, os superiores devem preparar seus funcionários para esse tipo de situação, implantando na sua empresa métodos que citamos antes para prevenir o sofrimento e reduzir a intensidade do estresse, não esquecendo que o indivíduo precisa querer essa ajuda, precisa partir dele a vontade dessa busca pela qualidade de vida.

É importante ressaltar que é nas organizações que se passa a maior parte do tempo, por isso é preciso aprender a construir a harmonia e a transformá-las em um lugar saudável, que beneficiará ambas as partes interessadas.

“Chiavenato (1999), afirma que a saúde dos colaboradores constitui uma das principais bases para preservação da força de trabalho adequada. No conceito obtido pela organização mundial de saúde, a OMS, a saúde é um estado completo de bem-estar físico, mental e social e que não consiste somente na ausência de doenças ou de enfermidades.”

Para uma pessoa ter qualidade de vida ela precisa também de uma motivação, algo que a incentive a seguir em frente não importando os problemas que virão. Cada pessoa tem uma capacidade diferente, isso vai depender da sua motivação, seus desejos, ambições, amores, ódios e medos. O ambiente que as pessoas proporcionam depende do grau de motivação de cada uma, há uma grande preocupação nas empresas em criar um ambiente de trabalho saudável, de respeito e valorização.

As pessoas têm muitas necessidades, tanto biológicas, por exemplo, fome, sede, outras necessidades são psicológicas, como vontade de ser reconhecido pelos superiores, ou até mesmo alcançar uma determinada valorização e cada pessoa é incentivada pela motivação, pois é preciso trabalhar bem para ser reconhecido, e claro que para motivar é preciso que a empresa tenha foco e missão de organização e cumpra todos os padrões que são importantes para seus funcionários, entre eles, investirem em alegria, bem-estar, segurança, atenção, respeito, um bom plano de comunicação, reconhecer que para alcançar o sucesso as pessoas são importantes, sem elas não seria possível chegar a lugar algum, desta forma o empregado vai se sentir bem dentro da organização e certamente comprometido com as metas da empresa.

Segundo Louis Davis (2006), a Qualidade de vida refere-se a um bem-estar geral e a uma preocupação com a saúde dos colaboradores. Ela certamente é essencial para se conquistar uma vida com qualidade, resulta em um crescimento pessoal, profissional e enfatiza a busca do equilíbrio psíquico, físico, social sendo que no trabalho a qualidade de vida é uma questão de competitividade, pois para a empresa conquistar o cliente é necessário que dentro dela tenha funcionários envolvidos com seu trabalho e empenhados para buscar sua satisfação.

Claro que para isso ser possível é importante à empresa adotar alguns pontos como: divisão de lucros, ambiente seguro e saudável, valorização das múltiplas qualidades de cada funcionário, possibilidade de crescimento profissional e avanço salarial, ausência de preconceitos, ou seja, igualdade, apoiar os direitos trabalhistas e liberdade de expressão, carga horária correta para que o colaborador consiga dedicar uma parte do seu tempo para a família e que a empresa adote metas de responsabilidade social.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este relatório analisou o impacto do estresse na qualidade de vida dos trabalhos inseridos nas organizações, pois foram elencados quais os motivos que levam os indivíduos ao estresse nas organizações, e as principais causas dessa espécie de tensão mental.

Através das mudanças ocorridas durante a vida para enfrentar uma situação, o individuo estabelece uma reação que acaba sendo expressa por meio individual, isto é, de cada um. No entanto essas situações exigem esforços e preocupações com as mudanças frente à situação, pois o estresse é submetido à sobrecarga e constituído pelo acúmulo de pressões que levam o indivíduo ao desequilíbrio. Dessa forma, o estresse mostra-se presente na atividade profissional, com as exigências, competividades e falta de segurança. Devido às principais causas estressoras acaba afetando na fase de exaustão que organismo capitula, desenvolvendo os sintomas e incluindo o fator que desencadeia as consequências físicas e mentais.

Logo, foram destacados os métodos que podem ser empregados para minimizar esse agente estressor e melhorar a qualidade de vida no sistema organizacional. Tendo em vista que inicia quando as pessoas propiciam um padrão de vida novo mediante as mudanças, ou seja, quando elas obtêm um ritmo totalmente acelerado que é direcionado ao trabalho, pois acabam substituindo as horas de lazer por tarefas trabalhistas, gerando preocupações e demais questões do gênero.

Portanto, para obter qualidade de vida no ambiente profissional, a organização precisa saber valorizar seus colaboradores e reconhece-los por meio do seu trabalho elencando através de elogios com o propósito de estabelecer conceitos de qualidade de vida. Dessa forma, o individuo elevará seu nível de produtividade e obterá resultados benéficos no meio profissional que possam influenciar no seu crescimento futuro.

REFERÊNCIAS

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